MOLDURA PARA ESPELHO,ESTILO D. JOÃO V
(MODALIDADE RICA)
Sempre que nos encontramos em presença de qualquer manifestação de Arte e que, pela sua subtileza, nos obrigue a fixar bem a nossa atenção, proporcionando-nos assim alguns momentos de satisfação espiritual, é com extraordinário júbilo que louvamos e aplaudimos o seu autor, certos de que praticamos um acto de inteira justiça e simultaneamente estimulamos o desenvolvimento do sentimento artístico popular.
É o caso do trabalho que nos serve de epigrafe a esta despretensiosa apreciação da autoria do Sr. Joaquim Manuel Lima, notável entalhador local, destinado ao lindo solar da Barrosa, na freguesia de Vila Franca, do concelho de Viana do Castelo, propriedade do nosso ilustre conterrâneo e amigo Sr. António de Araújo Mimoso e que, há alguns dias, se encontra em exposição, por especial deferência do seu amável proprietário, na Confeitaria Central, à Praça de Camões, desta vila.
Como tudo que sai da sua modesta mas laboriosa oficina, trata-se de mais.um valioso trabalho daquele nosso querido amigo, sendo o maior que, no género, as suas preciosas mãos têm executado, e no qual, desde a perfeição da execução á diversidade dos motivos que graciosamente irrompem num conjunto de perturbante beleza, tudo se conjuga, para que possamos classificá-lo um trabalho de grande merecimento artístico.
Na verdade, depois da análise minuciosa que lhe fizemos, verificamos estar na presença duma perfeita e completa obra de Arte, onde a impecabilidade de linhas e riqueza de estilo se manifesta caracteristicamente em toda a sua estonteante grandeza, devendo salientar-se, como motivo de pura originalidade - dentro do estilo - os enfeites que ornamentam o centro das pastes superior e inferior da moldura que, em apoteose á agua, a fantasia do artista criou inspirado em fontes da época, merecendo também especial referência as figuras representativas da Fama, que ladeiam o corpo superior da referida moldura, e que,. de formosas proporções, parece terem sido ali colocadas mais para anunciarem com o seu simbólico gesto a grandeza e eternidade da Arte que, propriamente, para servirem como motivo de decoração artística!
Efectivamente, Joaquim Manuel Lima, artista de grandes qualidades e extraordinários recursos, aliando ao profundo conhecimento de todas as modalidades e segredos do seu mester um incomparável escrúpulo na execução dos trabalhos; que lhe são confiados, desde há muito que se impõe pelos seus reconhecidos méritos, a fonte de seus trabalhos serem apreciadíssimos por muitos e distintos críticos de Arte de diferentes terras do País sobretudo de Lisboa, onde conta um número respeitável de admiradores.
Mas, se não quisermos tomá-lo no sentido lato do termo, como propriamente um predestinado, para a sua Arte, temos, contudo, de o considerar dotado dum sólido temperamento artístico, tais as facilidades que possue em introduzir nos seus trabalhos sem fugir ao clássico rigorismo dos estilos e dentro de um perfeito equilíbrio de linha - ornatos que a sua opulenta fantasia arquiteta e caprichosamente distribue num forte ritmo de vida, graça e harmonia.
É natural, de entre os poucos que nos lerem, haver quem, por despeito ou maledicência, julgue exagerada a adjectivação de que nos servimos para realçar o valor da obra e, consequentemente, encarecer as aptidões do artista. Isso não nos surpreende porém. Sempre assim foram os que por inércia ou incapacidade mental nada produzem e que desconhecendo as mais rudimentares noções de Arte, não podem compreender o trabalho e conhecimentos que é necessário ter para resolver as dificuldades que surgem ao procurar-se fazer desabrochar dum simples pedaço de madeira algo que satisfaça as exigências daqueles que têm devidamente apurada a sua intuição artística.
Assim, sem querermos armar em críticos de Arte, para o que reconhecemos não ter tendência, nem os indispensáveis conhecimentos que esta difícil missão exige, mas somente porque muitíssimo gostamos do trabalho em referência, aqui quisemos deixar, embora resumidamente e conforme, o nosso limitado saber no lo permite, a agradável. impressão, que o mesmo nos causou, esperando que a modéstia do artista nos releve as nossas descoloridas palavras, que, não obedecendo a propósitos de reclame, apenas traduzem a satisfação que sempre sentimos, como acima dizemos, em fazer justiça a quem a merece, mormente quando se trata dum conterrâneo que procura elevar no conceito social, sem alardes espaventosos, o nível artístico da sua terra.
Está de parabéns, portanto, este nosso querido amigo pelo seu primoroso trabalho, como também gostosamente o endereçamos ao Ex.mº Sr. António de Araújo Mimoso pela bela aquisição que acaba de fazer, revelando com isso um delicado gosto artístico e dando ensejo a um admirável exemplo a todos quantos ao dinheiro sacrificam a beleza da Arte em troca de autênticas chinezices.
26/9/1935
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DR. TEÓFILO CARNEIRO
Sempre entendemos como um dever indeclinável de consciência exaltar a memória daqueles superiores espíritos que ao longo da sua vida tiveram a felicidade de deixar um rasto luminoso a assinalar a trajectória de uma existência feita de inteligência, trabalho, dignidade, tolerância e total desinteresse pela conquista de bens materiais, porque é no exemplo magnifico a pratica destes predicados que temos de encontrar o incentivo que nos encoraje a combater e dissipar os miasmas que empestam a sociedade, e que, num autêntico pandemónio, tudo parece quererem subverter e dominar, até mesmo os que ostensivamente se dizem sinceros arautos das mais excelsas virtudes.
Na verdade, perante a acção negativa de tantos outros em cujo coração jamais vicejou a flor da sensibilidade, e que no tumulto dos seus inconfessáveis interesses pretendem reduzir a vida a mero balcão onde tudo se mercadeje, só as pessoas daquele estofo moral merecem a mais viva admiração e respeito, certos, como estamos, de que é nos moldes da sua irrepreensível conduta que a sociedade poderá encontrar o verdadeiro equilíbrio para uma vivência feliz, sem as chagas que presentemente a corroem desvirtuam, tornando-a profundamente desumana e insuportável pelo mundo de mistificações que a envolvem.
Vêm estas singelas considerações a propósito do trigésimo aniversário do falecimento da proeminente figura cujo glorioso nome nos serve de epígrafe a este apontamento, efeméride que se verifica em 3 do mês de Agosto próximo futuro, e a quem, incompreensivelmente, a sua e a nossa terra que Ele tanto amou e cantou em versos de superior Lirismo, prestigiando-a com as fulgurações dos seus múltiplos talentos, ainda não lhe prestou a mais que justificada homenagem a que incontestavelmente tem direito.
Com efeito, falar de Teófilo Carneiro é lembrar o famoso jurisconsulto, o conferencista notável, o inspirado poeta, o vibrante jornalista, o orador de rara eloquência e perfeitíssima dicção, o político de grande formação moral e democrática, o trabalhador incansável e alheio a interesses materiais, enfim, o protótipo do homem verdadeiramente evoluído e perfeito tanto quanto possível o pode conseguir um autêntico ser humano.
Eleito deputado pelo partido democrático que então governava o país, ficaram célebres as suas notabilíssimas intervenções como relator de um projecto de lei que tinha por fim a liquidação do caso, ‘’Angola e Metrópole’’, e defensor da régie dos tabacos que o governo pretendia estabelecer, iniciativa esta que teve a tenaz oposição dos deputados socialistas DRS. Ramada Curto e Amâncio de Alpoim, um dos maiores tribunos da época, dando origem a uma larga repercussão na imprensa com os mais lisonjeiros encómios pela forma eloquente como se desempenhou das difíceis missões de que fora incumbido pelo partido em que militava.
Nos grandes pleitos judiciais em que tinha intervenção, o público afluía em massa ao Tribunal, não propriamente pelo interesse que lhe podia merecer a causa em debate mas tão-somente para ouvir as sua judiciosas alegações que eram sempre de uma fascinante eloquência.
Por isso., a sua morte causando a mais profunda consternação em toda a região da Ribeira Lima, provocou a maior manifestação de pesar a que temos assistido, isto não só pela multidão que se incorporou no seu funeral, como também pelo grande número de pessoas da mais elevada categoria social que estiveram presentes, algumas das quais pronunciaram emocionantes discursos junto da sua última morada, como o General Norton de Matos, Rodrigo de Abreu, Drs. Luís Gonzaga, Gaspar Queirós e Gaspar de Abreu, este último seu muito ilustre e prestigioso colega, preponderante elemento da causa monárquica, de cuja brilhante oração transcrevemos os seguintes passos: ‘’ Talento multiforme, de surpreendente maleabilidade, que lhe permitia revelar-se sob variadas nuances, quer cultivando a poesia com delicado e enternecido lirismo, quer redigindo com sobriedade vernácula os seus proficientes trabalhos forenses, quer proferindo na barra do tribunal as suas eloquentes orações numa leveza de forma, numa justeza de conceito, numa segurança, de raciocínio, que poderão ser por outros igualado, mas que dificilmente serão excedidos’’.
‘’Ah! Meus Senhores, com que enternecida saudade eu relembro neste momento o indizível enlevo que sempre experimentei quando em debates forenses, e em campos opostos, terçamos as nossas armas em cerrada mas leal argumentação!’’
"Bem doloroso me é convencer-me de que não mais me será dado tão grato prazer espiritual, porque a luz que iluminou aquele cérebro privilegiado de todo se extinguiu, emudecendo para sempre essa voz tão cintilante de brilho, de elevação e de beleza’’.
Na realidade, era assim a personalidade inconfundível e insinuante do Dr. Teófilo Carneiro, expoente máximo, no seu tempo da intelectualidade de toda a Ribeira-Lima, e de uma integridade de carácter talvez mesmo inexcedível.
É evidente que tratando-se de e uma figura aureolada por tão, preclaras e raras virtudes não podia deixar de surgir, como logo surgiu, a ideia do seu nome ser perpetuado de forma condigna.
Assim, o seu saudoso amigo e poeta Dr. António Vieira Lisboa organizou uma comissão para levar a efeito a colocação do seu busto, em bronze, no mesmo jardim onde hoje esta situado o monumento ao grande português e patriota General Norton de Matos, para cujo fim se chegou a proceder a cerimónia do lançamento da primeira pedra; a Câmara Municipal da presidência do Dr. Filinto de Morais, em sessão de 26-5-1952, deliberou que seu nome fosse dado a um troço da rua Boaventura José Vieira, assim como a implantação de um plinto de granito, em local a escolher, com a inscrição de alguns dos seus versos; e, finalmente os seus colegas resolveram que se descerrasse o seu retrato no gabinete reservado aos advogados, existente no Tribunal desta comarca,-iniciativas todas muito justas e acertadas mas que não foi possível concretizar, pois a época não se prestava pata festejar democratas, mas somente para os denegrir
Nesta ordem de ideias, entendemos que após o 25 de Abril foram criadas todas as condições necessárias para se lhe poder prestar a devida homenagem de que é merecedor, e que, em nossa opinião, deveria ser consubstanciada num painel, se assim se lhe pode chamar, artisticamente concebido e executado em azulejo com a inscrição dos seus seguintes maravilhosos versos, isto, e triste é dize-lo, apesar de haver alguém que, inconscientemente, afirme que Ele nunca fora poeta:
PAISAGEM NUPCIAL
Trago, Senhor, meus olhos enlevados
nesta paisagem fresca, sensual,
- A mais linda, talvez, p'ra namorados
que há debaixo do céu de Portugal!
Sinto no azul o aroma dos noivados
Como se o ar florisse em laranjal,
e visiono corpos enlaçados
na terra armada em leito conjugal...
Olho encantado os píncaros dos montes
que, de serem redondos como seios,
dão um ar de lascívia aos horizontes!
Mergulho em loucos e longos devaneios!
Vejo confeitos de cristal nas fontes
E o Lima, ao fundo, em lúbricos coleios!...
Pintores de Portugal, ajoelhai!
Isto é um milagre, não é cor nem tinta!...
Mas não pinteis, pintores! Orai, rezai!
uma beleza destas não se pinta!...
Teófilo Carneiro
Quanto à sua colocação, está naturalmente indicado que seja feita na Torre a sul das muralhas da vila (antiga cadeia velha), dada a sua admirável situação, por isso que se trata do local mais encantador desta vila e frequentado não só por todos os limianos como pelos estranhos que nos visitam, o que certamente lhes chamaria a atenção par a sua leitura, do mesmo modo que lhes despertaria um maior desejo de melhor contemplarem a maravilhosa paisagem limiana, orgulho de todos nós.
Finalmente pensamos que é à Câmara Municipal que compete a obrigação moral de promover esta homenagem, por ocasião do próximo aniversário do seu falecimento; mas se assim não acontecer, hipótese que julgamos inadmissível, então resta aos seus numerosos amigos e admiradores o dever de leva-la a efeito suportando gostosamente os encargos da sua efectivação.
18-05-1979
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DIOGO PEIXOTO DE OLIVEIRA
Vítima uma prolongada doença que há mais de um ano o vinha martirizando e contra a qual lutou com uma força de ânimo e esperança pouco frequentes, finou-se, no passado dia 8 do mês corrente, num quarto particular do Hospital de Viana do Castelo, este nosso muito estimado conterrâneo, velho e querido Amigo, conhecido regente da Banda de Música de São Martinho da Gandra, deste concelho, donde era natural, mas há muitos anos radicado, pelo casamento, na encantadora freguesia de Venade, do concelho de Caminha.
Se é certo que o seu perecimento não nos surpreendeu por sabermos da gravidade do mal que o dominava, a verdade e que tal facto causou a mais profunda consternação em todos os seus amigos e admiradores; que os tinha em grande número na área do nosso distrito, pois Diogo de Oliveira não era uma figura perdida na vida trepidante destes calamitosos tempos, mas antes um espírito esclarecido e inteligente, aberto as mais justas ambições que Ele entusiasticamente patrocinava com o maior esforço e dedicação, na firme certeza, de que assim procedendo seguia as pisadas do Divino Mestre na verdadeira luta para a eliminação de todos sofrimentos humanos.
Mas se neste aspecto marcou uma posição de relevante presença, também no convívio social não foi de menor valia a sua actuação, dado o seu temperamento franco, alegre e expansivo, o que lhe permitiu conquistar, por força da sua irradiante simpatia, uma aura invejável, tal a forma acolhedora como sempre era recebido em qualquer parte onde a sua simpática figura se fizesse. notar.
Como hábil regente da referida. a Banda de Música, que sempre foi a sua grande paixão, conseguiu elevá-la a um apreciável nível artístico, criando-lhe assim uma justificada fama traduzida nas dezenas de contratos que todos as anos celebrava para a sua deslocação às mais importantes festas e romarias da Província do Minho, esforço que sempre fez da melhor vontade com o único propósito de, honrar o seu nome e o da sua Terra, que não com intuitos de ordem pecuniária.
Porém, a parca, indiferente, a estes naturais sentimentalismos, terminou por desferir-lhe o golpe fatal que o havia de roubar ao convívio familiar e dos seus numerosos amigos e admiradores.
Assim, algum tempo depois de se ter verificado o seu decesso, foi o cadáver trasladado para a Igreja de Santo António, da referida cidade, donde, no dia imediato, pelas 16,30 horas, após o final das cerimónias religiosas, seguiu seu ataúde coberto pela bandeira do partido do político em que militava, acompanhado por um longo cortejo de automóveis transportando seus amigos, para a freguesia de Venade, tendo em Caminha interrompido a sua marcha para receber as homenagens da Banda de Música de Monção, que executou uma marcha fúnebre, finda a qual tudo seguiu com rumo aquela freguesia, cuja população inteira ali o aguardava e o acompanhou, em procissão, até à Igreja Paroquial, ao som de marchas fúnebres executadas por aquela banda e pela de São Martinho da Gandra.
Terminados que foram os actos religiosos foi o seu corpo, entre. enorme multidão, conduzido para o Cemitério Paroquial, lugar sagrado em que usou da palavra um representante do partido politico M.D.P./C.D.E, e de que o finado era um preponderante elemento em Caminha e membro do seu Conselho Nacional, que profundamente emocionado enalteceu a sua personalidade rica de fé e esperança na construção de um novo mundo pleno da mais rigorosa justiça social, assim como o nosso colaborador Sr. Aníbal Marinho que se limitou a ler o texto político que lhe dedicou e inserimos na 4.ª página deste jornal.
O saudoso extinto era casado com a Sr.ª D. Maria Rita Alves do Oliveira, pai dos Srs. José Manuel Alves de Oliveira e Diogo Boaventura Alves de Oliveira, irmão da Sr.ª D. Aurora Peixoto de Oliveira, casada com o Sr. Capitão Vasco Vilas Boas, e do Sr. Miguel Peixoto de Oliveira, maestro e consagrado compositor.
«Cardeal Saraiva, que se fez representar, o mesmo tendo feito a Banda de Música de Ponte de Lima, por alguns dos seus elementos e da sua direcção, apresenta a todos os seus familiares cumprimentos do mais sentido pesar, especialmente à sua esposa e filhos.
18/5/1979
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EMBORA soubéssemos do seu precário estado de saúde, não foi sem algo de. emoção que recebemos a infausta noticia do falecimento deste nosso velho Amigo e prestigioso democrata, conceituado comerciante e proprietário no freguesia de Refoios, deste concelho, donde era natural, e que Ele muito honrava pela grandeza do sua alma e honestidade das suas intenções.
Se é certo que a morte é um fenómeno natural a que todos estamos sujeitos e quase sempre mais cedo do que pensamos, certo é também que quando ela se manifesta em pessoas que se distinguiram pela relevância dos seus méritos e acertada actuação no meio social em que estavam integradas, isso constitui, como não podia deixar de ser, um lamentável acontecimento, dado que o seu decesso provoca uma lacuna difícil de preencher, pois infelizmente não são muitos os valores de ordem moral e cívica que se evidenciam em qualquer parte , mormente nos pequenos aglomerados populacionais, como aquele onde vivia o saudoso cidadão que é objecto, deste apontamento.
Com efeito, Domingos Gomes de Amorim revelou-se sempre um espírito evoluído, aberto a todos as transformações sociais que visassem o bem comum, através de um trabalho criador e profundamente humano, sem aquelas escusadas interferências que, ao fim e ao cabo, só servem para entenebrecer os espíritos em vez de os elevar aos páramos das divinas sublimidades.
Ora, porque sempre assim pensou, teve adversários que não lhe perdoaram a. forma desassombrado como exteriorizava as nobres ideais que professava, a ponto de ter estado detido, durante algum tempo, nos calabouços da PIDE, no Porto; mas isso, ao contrário do que podiam pensar os seus inimigos, não lhe abalou o culto que nutria pelo seu superior idealismo que ardorosamente abraçava, antes o encorajou para prosseguir numa luta leal em sua defesa, atitude que coerentemente manteve até ao fim, sem as perplexidades que caracterizam os espíritos fracos.
Trabalhador incansável, foi honesto comerciante e um admirável cavaqueador, constituindo um agradável prazer ouvir seus diálogos sobre os diversos problemas sociais, que debatia com muito lógica e vivacidade de inteligência.
Por todos estes motivos, lamentamos sinceramente não termos assistido ao seu funeral, de que só posteriormente tivemos conhecimento, pois se assim não fora seria junto do seu cadáver, no cemitério local, que de viva voz, alto e em bom som, teríamos feito o panegírico deste denodado defensor das sagradas causas da liberdade e democracia, ideais que sempre nortearam sua vida de exemplar cidadão.
São estas as flores que desfolhamos sobre o seu túmulo, na certeza de que o fazemos em homenagem a Alguém que ao longo do sua existência seguiu uma linha de intransigente convicção democrática, ideologia que sempre informou o seu esclarecido espírito.
21-12-1979
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MIGUEL DE OLIVEIRA
Sempre entendemos que a quantos no decorrer da sua existência revelam virtudes excepcionais, mormente no que se refere aos domínios da Arte. Merecem ser homenageados durante a sua vida e não como quase sempre acontece, depois do seu decesso, para assim poderem sentir o prazer espiritual de que seu esforço criador teve o devido eco na alma popular.
Vem estas despretensiosas considerações a propósito do maestro e compositor de grande projecção cujo nome serve de epígrafe a este ligeiro apontamento, cidadão natural da bucólica. freguesia de São Martinho da Gandra, deste concelho, mas há muitos anos radicado na encantadora Vila de Monção, por motivos da sua actividade profissional, pois somos de opinião que a respectiva autarquia local, representando o sentir do seu povo, deve promover a homenagem de. que Ele é muito merecedor, mandando colocar uma lápide na casa onde nasceu, com as necessárias indicações alusivas à sua personalidade artística acto que seria assinalado com um banquete em sua honra no qual , os seus numerosos amigos teriam ensejo de lhe patentear, quanto o admiram pelas virtudes artísticas com que a natureza o bafejou.
Vem estas despretensiosas considerações a propósito do maestro e compositor de grande projecção cujo nome serve de epígrafe a este ligeiro apontamento, cidadão natural da bucólica. freguesia de São Martinho da Gandra, deste concelho, mas há muitos anos radicado na encantadora Vila de Monção, por motivos da sua actividade profissional, pois somos de opinião que a respectiva autarquia local, representando o sentir do seu povo, deve promover a homenagem de. que Ele é muito merecedor, mandando colocar uma lápide na casa onde nasceu, com as necessárias indicações alusivas à sua personalidade artística acto que seria assinalado com um banquete em sua honra no qual , os seus numerosos amigos teriam ensejo de lhe patentear, quanto o admiram pelas virtudes artísticas com que a natureza o bafejou.
Se assim vier a acontecer, como esperamos, lá estaremos pares lhe prestar a nossa saudação de muito apreço e estima.
30/4/1982
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MAL DE INVEJA
REVELANDO instintos de homicida
que o Mundo para sempre condenou,
numa cena selvagem, repulsiva,
Já CAIM seu irmão assassinou.
Vem de longe, dos nossos ancestrais,
este pernicioso sentimento,
que só os seres com alma de chacais
cultivam com inteiro aprazimento.
Vírus maldito, endémico, letal,
inimigo das regras da moral
de que a vida não pode prescindir,
Só noutras estruturas sociais,
Baseadas em reformas radicais,
Por certo deixaria de existir.
Maio de 1973
Nota: por lapso e texto em epígrafe não foi publicado no livro «Homens e Ideias»
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EM VÉSPERA DE ELEIÇÕES
Se quer marcar posição
na Causa socialista
tem de ser um cidadão
sem feição oportunista.
É que em suas estruturas
não há especulações
que permitam falcatruas
de se obterem milhões.
Trabalho e liberdade,
cultura e educação,
é essa a finalidade
da sua honrosa missão.
Foi Jesus, por voto Seu,
na sua missão Divina,
quem primeiro difundiu
esta superior doutrina.
Mas se por qualquer motivo
este pensar o assusta,
procure ser positivo
em causa sempre mais justa.
Tenha muito bem presente
que só a luz do saber
ilumina a sua mente
de forma a nada temer.
Combata o politiqueiro
que de si faz um degrau
para atingir o poleiro
por ambição pessoal.
Não vá pois pela arreata,
mesmo que de oiro feita,
que é a cena mais caricata
a que um Ser se sujeita.
No mundo do pensamento
todos têm o seu lugar
para, com discernimento,
poderem dialogar…
Porque a vida é um sentimento
sem o qual não tem valor,
dêmos-lhe mais valimento
em luz, justiça e amor!
2 de Abril de 1976
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A NATUREZA EM FESTA
À jovem estudante Maria de Fátima Aguiar,
com votos dos maiores êxitos escolares.
De surpreendente efeito multicorque excede a mais fantástica visão,
a Primavera é a máxima expressão
a Natureza em todo o seu fulgor
Revestida de folhas e de flores,
qual mensagem divina de beleza,
bendita seja a excelsa natureza
nesta Festa de tons e de odores.
Cruzando o ar em voos graciosos
numa louca alegria de viver,
as aves trinam cantos maviosos…
Quadra que nos fascina e fortalece
p’lo seu maravilhosos renascer,
é bem digna da mais profunda prece!
Maio de 1976
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CENA DOLOROSA
A propósito da morte da vaca das cordas, vergonhosa e desumana
tradição que urge eliminar do calendário das nossas diversões,
para honra da nova sociedade que se pretende construir e se deseja
ver integrada num Cristianismo renovado e vivido na pureza do seu
primitivo e autêntico idealismo, que não somente de fachada.
O Sol, que ainda ia muito alto, insuportável,
sem qualquer aprazível viração,
a todos se tornava indesejável
pela sua causticante projecção.
Foi neste condenável ambiente
que ao Largo da Matriz se viu chegar,
entre uma multidão que loucamente
quase não a deixava respirar.
Inquieta, ofegante, apavorada
com o infernal barulho que a cercava,
causava grande dó a sua excitação.
E toda esta cena se passava,
em holocausto a um gozo que a matava,
Sem por Ela ninguém ter compaixão!!!
25 de Junho de 1976
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UM PORTUGUÊS GIGANTE
A propósito da inauguração do monumento à memória do nosso eminente
conterrâneo General Norton de Matos, em 12 do Próximo mês de Setembro,
figura inconfundível de democrata GRANDE entre os maiores vultos da
nossa história, que foi diplomata distinto, ministro, Alto Comissário da
República em Angola e vigoroso escritor, cujo gloriosos nome os seus
inimigo, pigmeus e reaccionário, servindo-se das mais miseráveis calúnias,
não conseguiram destronar do CAPITÓLIO, lugar a que ascendeu por direito
próprio, como PATRIOTA INSIGNE.
DE larga projecção internacionalp´los serviços prestados à Nação,
O SEU NOME atingiu grandeza tal
que olvidá-lo é um crime de traição.
Só o MILAGRE DE TANCOS que operou
Com a mais patriótica visão,
foi um acto que logo o consagrou
como UM HOMEM de rara decisão.
Defender nosso Império Colonial
Sempre foi o seu sonho, o seu ideal
Que o «fascio» não deixou concretizar…
Talvez que ELE evitasse o temporal
Que tantos males trouxe a Portugal
E agora todos temos de pagar!!!
20 de Agosto de 1976
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A propósito da injustificada e condenável mutilação perpetrada
no lindo CHORÃO do Passeio 25 de Abril, desta Vila, soberbo
exemplar que embelezava espectacularmente o local da sua implantação,
e que foi vítima de certos e incompreensíveis desleixos a que urge por termo.
sem razão que o levasse a cometer,
foi o caso do CHORÃO maravilhoso
que até de indignação nos fez tremer!...
Aquela cabeleira exuberante
quase sempre em suave ondulação,
constituía uma beleza fascinante
a encetar do povo o coração.
De uma harmoniosa compostura
que apetecia não mais deixar de ver,
era uma obra prima da Natura!
Se este crime víssemos tentar,
com a força do nosso fraco ser
talvez ninguém o ousasse praticar.
Setembro de 1976
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UM GRANDE COMPOSITOR LIMIANO
ESTOU pensando em si, no seu valor,
valor real e não sofisticado,
que através de um esforço criador
nos tem constantemente demonstrado.
Suas composições são valiosas,
causando sempre enorme sensação
nas almas de beleza sequiosas
por uns momentos altos de emoção
Mas não admira que isso aconteça
a quem já foi há muito consagrado
como autor musical incontestado.
Que Apolo o inspire, o favoreça
Em novas e felizes criações,
São as nossas confiantes previsões!...
8 de Outubro de 1976
A NOSSA HOMENAGEM
que nem Deus até hoje fez parar,
não tolera ao ser mais importante
a ambição de querer por cá ficar.
Por isso, todos vamos caminhando
ao encontro do fim que há-de vir;
uns, entre um mar de lágrimas chorando,
outros, alegremente…sempre a rir!
Não se incomode pois meu bom Amigo
por seus setenta anos perfazer,
o que a muitos não tem acontecido…
Agora, sem trabalhos e arrelias
que por força da Lei deixa de ter,
vai sentir mais felizes os seus dias !
Outubro de 1976
NO ANIVERSÁRIO DO NOSSO JORNAL
Trata-se do nosso prestigioso conterrâneo, Sr. Miguel de Oliveira,
ilustre Gandarense, Compositor e Chefe de Orquestra, figura sobejamente
conhecida, que à causa da música tem dado o melhor do seu espírito
criador consubstanciado em diversas composições de efeitos surpreendentes,
executadas por mais de 300 organizações musicais da país e estrangeiro,
a última das quais, «A BOA-NOVA», acaba de ser adquirida, entre outras,
pela BANDA DOS GRANADEIROS, de Londres.
ESTOU pensando em si, no seu valor,
valor real e não sofisticado,
que através de um esforço criador
nos tem constantemente demonstrado.
Suas composições são valiosas,
causando sempre enorme sensação
nas almas de beleza sequiosas
por uns momentos altos de emoção
Mas não admira que isso aconteça
a quem já foi há muito consagrado
como autor musical incontestado.
Que Apolo o inspire, o favoreça
Em novas e felizes criações,
São as nossas confiantes previsões!...
8 de Outubro de 1976
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A NOSSA HOMENAGEM
Dedicado ao Sr. José Maria Leitão Quintela, velho Amigo
e antigo companheiro de muitos anos de trabalho,
a propósito do seu septuagésimo aniversário natalício.
O Tempo, essa força desgastante,que nem Deus até hoje fez parar,
não tolera ao ser mais importante
a ambição de querer por cá ficar.
Por isso, todos vamos caminhando
ao encontro do fim que há-de vir;
uns, entre um mar de lágrimas chorando,
outros, alegremente…sempre a rir!
Não se incomode pois meu bom Amigo
por seus setenta anos perfazer,
o que a muitos não tem acontecido…
Agora, sem trabalhos e arrelias
que por força da Lei deixa de ter,
vai sentir mais felizes os seus dias !
Outubro de 1976
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NO ANIVERSÁRIO DO NOSSO JORNAL
Não se pode falar do «CARDEAL»
sem lembrar o saudoso AVELINO
que na manutenção deste JORNAL
foi sempre um verdadeiro paladino.
Lutando contra um ódio incompreensível,
qual baba peçonhenta de uma fera,
sua vitória só lhe foi possível
pelo muito que amava a nossa Terra.
Porque resistiu aos mais duros entraves
que ideias não deixavam ventilar
à sombra de tirânicas maldades,
ELE AÍ ESTÁ, com nobreza e sem rancor,
de todos publicando seu pensar,
na linha da sua velha e linda cor!
Fevereiro de 1977
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A NATUREZA EM FESTA
De surpreendente efeito multicor
que excede a mais fantástica visão,
a Primavera é a máxima expressão
a Natureza em todo o seu fulgor
Revestida de folhas e de flores,
qual mensagem divina de beleza,
bendita seja a excelsa natureza
nesta Festa de tons e de odores.
Cruzando o ar em voos graciosos
numa louca alegria de viver,
as aves trinam cantos maviosos…
Quadra que nos fascina e fortalece
p’lo seu maravilhosos renascer,
é bem digna da mais profunda prece!
Maio de 1976
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PÁSCOA
CELEBRANDO a vitória espantosa
do SEU martírio estoico e supremo
a Páscoa é uma festa jubilosa
que glorifica o Grande Nazareno.
Nos Templos e nas belas Catedrais,
onde se sentia o luto e a dor,
vêem-se de novo os santos e os vitrais
e já se entoam cânticos de amor.
Também a deslumbrante Natureza
se reveste de folhas e de flores
emprestando à vida mais beleza!
Mistério de duas forças criadoras
que espalham alegrias e odores
na multidão das almas sofredoras…
Abril de 1977
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NO MUNDO DA INFÂNCIA
A propósito do Ano Internacional da criança
NÃO sei que maior beleza possa haver
do que a graça e o sorriso das crianças,
incomparável fonte de prazer
e esperança de todas as esperanças!
Mensageiras do mundo de amanhã
que cremos venha a ser bem mais fraterno,
sua acção será forçosamente má
se não modificarmos este Inferno …
Libertá-las das garras da miséria
em que vivem ainda alguns milhões,
é a grande batalha que se espera.
Depois, somente luz e educação,
a indicar-lhes, com nobres intenções,
o caminho que as leve à rectidão! …
Junho 1979
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SAUDAÇÃO
A propósito do septuagésimo aniversário deste prestigioso semanário de que foi proprietário o saudoso e inesquecível AVELINO GUIMARÃES, bairrista incomparável e espírito profundamente humano, figura relevante da nossa Terra cujo nome desde há muito devia estar perpetuado numa das ruas desta vila
Está de parabéns a Directora
deste velho e querido «Cardeal»,
pela forma coerente e sabedora
como vem dirigindo o seu jornal
Vencendo as naturais dificuldades
que a imprensa regional tem de enfrentar,
seu passado não conta ambiguidades
mas sim uma conduta exemplar!
Defensor do progresso desta Terra
P’lo qual jamais deixou de pelejar,
Ninguém o conseguiu ultrapassar…
Por tudo o que de bom sempre fizera
na sua construtiva actuação,
bem merece esta nossa saudação
Fevereiro de 1980
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A TORRE VELHA
Aquela Torre Velha de além-rio,
que estou vendo da nossa marginal,
é um poema de Arte que admiro
pela sua beleza corporal.
Situada numa zona surpreendente
que muito lhe realça a posição,
constitui um prazer p’ra toda a gente
contemplar tão perfeita construção
De linhas harmoniosas não conheço,
nesta inconfundível região,
outra que a supere em mais apreço.
Valor arquitectónico local,
de requintada e rara dimensão,
não é fácil encontrar outro igual.
Maio 1980