sábado, 12 de março de 2011

Dados Biográficos

ANÍBAL de Jesus Varela MARINHO nasceu em Ponte de Lima, na casa n.º 39 da Rua da Abadia, a 14-1-1902 e faleceu a 3-10-1994 em St.ª Maria Maior, Viana do Castelo, tendo sido sepultado em Ponte de Lima, conforme seu desejo. Era filho de José Joaquim Correia Marinho, Secretário da Administração Municipal de Ponte de Lima e de D. Maria da Glória Barbosa Varela.
Pelo amor que tinha à sua terra, quis, antes de ser enterrado, dar um derradeiro adeus, pelo que o féretro parou cerca de um minuto, na última curva antes da entrada em solo sagrado, e assim pôde apreciar uma das paisagens mais belas de toda a Ribeira Lima, que tão bem soube cantar.
Foi funcionário da Escola Primária Superior Dr. António Feijó, em Ponte de Lima, desde 1919 até à sua extinção em 1926. Mediante concurso, ingressou no quadro de pessoal da Direcção-Geral das Contribuições e Impostos, tendo sido colocado na Repartição de Finanças de Braga, donde, em 1929, foi transferido a Direcção de Finanças de Viana do Castelo, até 1936, altura em que veio para a Repartição de Finanças de Ponte de Lima, onde permaneceu até à sua aposentação.
Nesta repartição, teve a seu cargo o serviço relacionado com a liquidação dos Processos de Imposto sobre Sucessões e Doações (instauração, liquidação, organização dos mapas do seu movimento, etc.).
A Inspecção-Geral de Finanças atribui-lhe ininterruptamente, a classificação de Muito Bom, a única e mais elevada que durante 36 anos foi atribuída a um funcionário da Repartição de Finanças de Ponte de Lima.
Quando jovem, conheceu e lidou com alguns limianos de excepcional valor, dotados de uma sólida cultura de feição universal. É o caso do Dr. Teófilo Carneiro, para quem, Aníbal Marinho, em artigos insertos no Jornal Cardeal Saraiva de 2 de Agosto de 1956 e 18 de Maio de 1979, defende a promoção de uma homenagem pública, com colocação na Torre a sul das muralhas da Vila, de um monumento com a inscrição de uma das suas mais belas quadras. Outros conterrâneos, com quem Aníbal marinho travou conhecimento e estabeleceu amizade foram: o prof. Américo Carneiro, o Gen. Norton de Matos, o Dr. António Ferreira, o Dr. Adelino Ribeiro Sampaio e António Mimoso. Não podemos contudo esquecer outros, como ele democratas e opositores ao regime salazarista, que de perto o acompanharam: Joaquim Manuel de Lima (Joaquim Santeiro), Avelino Guimarães, António Amorim, Augusto de Castro e Sousa, José Valente Fiúza, António Morgado Morais, Jaime Campos, David da Rocha Braga, Rodrigo de Abreu, Benjamim Vieira Lisboa, Salvato Feijó, prof. Caetano José de Oliveira, Maestro Miguel de Oliveira, Severino Costa e tantos outros.
Em 1949, participou activamente na Campanha do Gen. Norton de Matos à presidência da República, que foi um marco assinalável na longa luta travada pela Oposição Democrática contra o anterior regime, que apresentava como candidato o general Óscar Carmona.
Nesta ocasião, esteve ligado ao MUD - Movimento de Unidade Democrática e trava conhecimento com outros democratas de então. Entre eles o Dr. Vasco da Gama Fernandes, Ex-Presidente da Assembleia da República, no pós 25 de Abril de 1974, com quem passa a trocar correspondência, passando a existir uma admiração mútua, o Contra-Almirante Ramos Pereira, o Dr. Mário Soares, Dr. Salgado Zenha, Dr. Mário Emílio Sacramento, Dr. Luís Almeida Braga, Alberto de Serpa, etc.
Posteriormente travou ainda conhecimento com Manuel Alegre, com quem acaba por ter algumas divergências a partir de 1976.
Publicista e poeta, colaborou no Elucidário Regionalista de Ponte de Lima, e, durante cerca de 50 anos, no jornal regional ‘’Cardeal Saraiva’’.
Em 1976, publicou um livro intitulado ‘’Homens e Ideias’’, colectânea de diversos sonetos e quadras, bem como alguns artigos em prosa, extraídos dos jornais regionais onde colaborou. Há ainda alguns sonetos inéditos e outros já publicados em jornais, bem como alguns artigos em prosa, que se pretende serem objecto de publicação.
Aníbal Marinho foi ainda exímio tocador de viola e guitarra, chegando a compor algumas músicas, entre elas: Variações sobre ‘’Für Elise’’ de L. V. Beethoven (versão para viola), dedicada ao seu amigo Maestro António Victorino de Almeida; Valsa; Variações em Lá Menor; Variações em Lá Maior; Variações em Ré Menor, (versões para Guitarra, etc.).
Não é de estranhar esta actividade musical, dado que pelo lado materno, descendia de uma família de personalidades ligadas á música. É o caso do padre José Varela, que foi organista e tio de Frei Domingos de S. José Varela, abade beneditino, insigne professor de música, considerado um dos primeiros organistas portugueses e concertista, que faleceu em 1834, tio do padre João de Azevedo Varela, organista da Colegiada de Guimarães, que deixou algumas composições de carácter religioso e de Jerónimo Xavier Varela, um grandes compositores de música sacra do séc. XIX, professor de música em Ponte de Lima, discípulo de João Domingos Bontempo, agraciado com a Cruz da Ordem de Cristo, e ainda de Reinaldo Varela, professor de música de el-Rei D. Carlos, fadista e guitarrista famoso.

José Aníbal Marinho Gomes